Isabela Falcon

O que não é Constelação Familiar?

o que não é constelação familiar

A Constelação Familiar tem sido amplamente divulgada nos últimos anos, mas, infelizmente, também tem sido alvo de distorções e usos inadequados. Muitas pessoas, inclusive profissionais de saúde e do direito, passaram a aplicar a Constelação de maneira equivocada, atribuindo a ela funções que não fazem parte de sua metodologia original.

Hoje em dia, há muito mais informações que contradizem os aspectos terapêuticos da Constelação Familiar por serem instrumentalizadas por pessoas incapacitadas. Sejam aquelas que defendem um esgarçamento da aplicação técnica, sejam aquelas que querem criticar sem fundamentos sólidos, há uma disputa de narrativa com implicações políticas.

Eu defendo a Constelação Familiar que traga os aspectos técnicos terapêuticos, associados a uma estrutura de aplicação ética, instrumentalizada por terapeutas profundamente experientes e de um grande repertório de conhecimento.

Para usar a Constelação Familiar como método, é obrigatório ter experiência clínica. Não dá para aplicar a constelação sem ter poder de manuseio clínico.

Neste artigo, você perceberá o que não é Constelação Familiar e por que é tão importante entender essa diferença.

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1. Constelação Familiar não é um método para resolver conflitos judiciais

Nos últimos anos, a Constelação Familiar foi introduzida em algumas varas de família no Brasil como uma ferramenta para ajudar a mediar disputas, especialmente em casos de separação e guarda de filhos. O problema surge quando essa técnica é usada como uma forma de pressão emocional para que as partes cheguem a um acordo, independentemente do impacto emocional que isso possa ter.

A Constelação é um método fenomenológico e terapêutico, e não um mecanismo para definir quem está certo ou errado em um processo judicial. Quando utilizada dessa maneira, pode induzir vítimas de violência doméstica ou de abuso emocional a aceitarem reconciliações forçadas, sem considerar as reais necessidades psicológicas dos envolvidos.

Portanto, não é Constelação Familiar quando ela se torna um meio de “resolução de conflitos” em processos judiciais sem levar em conta a autonomia e a segurança emocional das pessoas envolvidas.

2. Constelação Familiar não é uma religião, nem envolve crenças místicas

Muitas pessoas acreditam que a Constelação Familiar está associada a práticas esotéricas ou espirituais, o que não é verdade. O método proposto por Bert Hellinger se baseia na observação de padrões sistêmicos dentro das famílias, sem relação com entidades espirituais, energias sobrenaturais ou dogmas religiosos.

Entretanto, alguns facilitadores passaram a incorporar elementos de suas próprias crenças espirituais durante as sessões, fazendo com que muitos enxerguem a Constelação como uma espécie de ritual. Isso é uma distorção grave e afasta a prática de sua abordagem original.

Se alguém apresenta a Constelação Familiar como um trabalho baseado em “forças ocultas” ou “energias cósmicas”, saiba que isso não é Constelação Familiar.

3. Constelação Familiar não obriga ninguém a perdoar

Um dos maiores equívocos sobre a Constelação Familiar é a ideia de que ela obriga as pessoas a perdoarem seus familiares, independentemente do contexto. A verdade é que a Constelação busca trazer à tona dinâmicas ocultas das relações familiares para que a pessoa possa enxergar sua história de outra forma, mas isso não significa que o perdão seja obrigatório.

O perdão pode ser uma ferramenta valiosa para algumas pessoas, mas não é uma condição necessária para a cura. Em muitos casos, tentar forçar alguém a perdoar pode ser uma forma de minimizar o sofrimento real da vítima e levá-la a permanecer em relações abusivas.

Portanto, não é Constelação Familiar quando um facilitador insiste que a vítima precisa perdoar seu agressor para “seguir em frente”. A verdadeira transformação vem do entendimento e da liberdade, e não de uma exigência externa.

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4. Constelação Familiar não substitui a terapia tradicional

A Constelação pode ser uma ferramenta útil para o autoconhecimento, mas ela não deve ser vista como um substituto para a terapia contínua. Muitas pessoas acreditam que uma única sessão de Constelação pode resolver problemas emocionais profundos, mas isso é uma ilusão.

A terapia, especialmente a psicanálise e outras abordagens estruturadas, trabalha com a elaboração gradual dos traumas, permitindo que o paciente tenha um espaço contínuo para reflexão e transformação. Já a Constelação é um método fenomenológico, que pode oferecer insights valiosos, mas não trabalha diretamente a reestruturação do psiquismo.

Portanto, não é Constelação Familiar quando alguém sugere que ela pode substituir o acompanhamento terapêutico. O autoconhecimento exige um processo mais profundo e estruturado.

5. Constelação Familiar não transforma ninguém em terapeuta de um dia para o outro

Outro problema crescente são os cursos rápidos que prometem transformar qualquer pessoa em “terapeuta de Constelação” em poucos meses. A facilitação de processos sistêmicos exige conhecimento profundo, não apenas da metodologia, mas também dos impactos emocionais que o processo pode gerar nos participantes.

Muitos indivíduos que participam desses cursos começam a conduzir Constelações sem o preparo necessário, podendo causar mais danos do que benefícios. Um facilitador sem preparo pode reforçar traumas, induzir interpretações equivocadas ou até mesmo manipular emocionalmente os participantes.

Se alguém promete transformar você em constelador rapidamente, tenha certeza: isso não é Constelação Familiar.

6. A Constelação Familiar tem uma dinâmica psicanalítica e fundamentos da Psicologia Sistêmica

Embora a Constelação Familiar não seja uma abordagem psicanalítica em sua essência, ela compartilha diversos conceitos com a Psicanálise e a Psicologia Sistêmica. A maneira como a Constelação trabalha com a repetição de padrões familiares inconscientes tem um forte paralelo com a ideia freudiana de compulsão à repetição, em que o sujeito revive padrões disfuncionais sem perceber.

Além disso, a Constelação tem grande influência da Psicologia Sistêmica, que busca entender os indivíduos dentro de seus sistemas relacionais. Essa abordagem foi fortemente desenvolvida por teóricos como Virginia Satir, que enfatizou a importância da comunicação familiar na construção da identidade individual.

Ao explorar as dinâmicas familiares e os efeitos transgeracionais dos traumas, a Constelação se aproxima da perspectiva psicanalítica, pois revela conteúdos reprimidos que influenciam o comportamento do sujeito. No entanto, sua aplicação é mais direcionada à experiência fenomenológica do que à análise individual do inconsciente, tornando-a uma técnica complementar e não substitutiva da Psicanálise.

Conclusão – O que realmente é Constelação Familiar?

A Constelação Familiar é um método sistêmico e fenomenológico, que pode trazer insights importantes sobre os padrões familiares e suas influências na vida do indivíduo. No entanto, ela não é uma ferramenta judicial, não obriga ao perdão, não é uma prática religiosa e não substitui a terapia tradicional.

Se você quer explorar os benefícios da Constelação, procure profissionais sérios e capacitados, que apliquem o método de forma ética e respeitosa. Evite aqueles que misturam a técnica com crenças pessoais ou promessas irreais.

A verdadeira transformação acontece quando há consciência e responsabilidade no uso da ferramenta. E isso só é possível quando entendemos o que é – e o que não é – Constelação Familiar.

Quem é Isabela Falcon?

Isabela Falcon é psicanalista, consteladora e psicopedagoga de grande experiência. Já atendeu mais de 1000 clientes e hoje se dedica aos estudos psicanalíticos desenvolvendo a técnica da análise sistêmica.

Com grande experiência e inúmeros atendimentos terapêuticos usando a psicanálise desde o início dos anos 2000, Isabela hoje traz abordagens singulares únicas com a Constelação Familiar como método racional e científico.

Isabela Falcon fala sobre a dificuldade de ter todos os dias um bom dia. Nem sempre é sobre isso e está tudo bem.

Sediada em Curitiba, Isabela Falcon também faz atendimentos em psicanálise e Constelação Familiar Online usando as ferramentas de interação virtual como whattsapp e google meeting.

Com clientes em muitas partes do Brasil e do mundo, Isabela se torna uma grande referência em Constelações Familiares.

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